Caras leitoras e caros leitores,

desde o início da pandemia, um expressivo número de mães e pais no Brasil e no mundo revelaram que  suas crias subitamente começaram a se autodeclarar “trans”. Alguns observaram que a volta às aulas presenciais diminuiu ou fez desaparecer o problema. Isso mostra por que contra-indicamos a “transição” de crianças e adolescentes: ela pode cristalizar situações que são normais nessa faixa etária como confusão, fantasia, desconforto com as mudanças corporais trazidas pela puberdade, dificuldades de lidar com sua orientação sexual, abuso sexual, bullying e inúmeras questões que, até bem pouco tempo atrás, denominaríamos genericamente como… coisas da idade.

Hoje, trazemos a você a tradução do texto “Solidão, isolamento e trans-identificação em adolescentes”, que pode ser lido aqui no original. Ele foi publicado pelo ótimo blog PITT – Parents with Inconvenient Truth about Trans ou “Pais com Verdades Inconvenientes sobre Trans”. Vale a pena ler todos os posts do PITT e se inscrever para receber os próximos; se você não entende inglês, o Deepl quebra seu galho!

Mesmo antes da pandemia, nós já avisávamos que a autoidentificação como “trans” está seguindo um padrão de contágio social no mundo todo. Adultos com questões de saúde mental são vítimas, mas muito mais o são os menores de idade. Crianças imitam as outras, adolescentes vivem um conflito entre pertencer a um grupo e querer ser especial e ambos são extremamente vulneráveis a contágios sociais, sobretudo as meninas, conforme mostram transtornos como anorexia, bulimia e automutilação; ironicamente, nenhum médico está prescrevendo para esses problemas lipoaspiração, indução de vômito e nem mutilação – ao menos, não sem prévio diagnóstico de “incongruência de gênero”. A partir do momento em que médicos reduziram a idade mínima para intervenções corporais, fabricaram clientes incentivando a “transição social” e reputaram a “identidade” e “identidade trans” o que era, no máximo, uma questão de saúde mental. E, se antes do isolamento os meninos e meninas do século XXI já estavam imersos no virtual, profundamente divorciados da realidade dos seus corpos e da natureza, se já se comparavam com as imagens manipuladas e inatingíveis de celebridades e anônimos nas redes sociais…  se já utilizavam os filtros de Instagram, Snapchat e Photoshop que mudam radicalmente a aparência, inclusive para uma do sexo oposto, e assim se apresentavam… …se tantos garotos que se viam como feios e desengonçados começaram a ser glorificados por adultos desconhecidos na internet depois de posarem maquiadíssimos e hipersexualizados nas redes….  se a internet já facilitava que adultos aliciassem menores de idade… de certa forma era esperável esse aumento de trans-identificações. Pululam, com milhares de “likes”, postagens de adultos que se autodeclaram “trans” fazendo propaganda de binders, packers, dos ambulatórios, clínicas, médicos, psicólogos e psicanalistas que os atendem (jabá? “publi”?) e se fotografam injetando hormônios como se estivessem praticando um ato heróico. E há as famosas fotos do “antes e depois”, habilmente manipuladas com os recursos tecnológicos e cosméticos com pouca ou nenhuma menção sobre o “durante”. Feridas, cicatrizes, prejuízos financeiros, dores, tempo em que ficaram acamados, fístulas, efeitos colaterais psicológicos e psiquiátricos dos hormônios, resultados indesejáveis são convenientemente escondidos. No Brasil, o resultado dessa conjuntura pode ser ainda mais trágico, pois estamos falando de um país jovem, com  mais de 200 milhões de habitantes, terceiro no mundo no uso de redes sociais e, finalmente, no qual políticos e burocratas manipulam impunemente  recursos públicos da saúde e educação para este nicho.

Depoimentos como o desta mãe você não verá na mídia e muito menos nos perfis de organizações “LGBT” ou “T”, os quais direcionam estas meninas e meninos e suas famílias para os médicos, psicólogos e psicanalistas dos ambulatórios e clínicas de “identidade de gênero” a fim de que se tornem, o mais rápido possível, pacientes crônicos do sistema de saúde. Lamentamos que tanta gente, incluindo aquelas em quem confiamos como governantes, operadores do Direito, políticos, acadêmicos e militantes, insistam em celebrar  a sigla corporativa “LGBT” e e suas derivadas (“LGBTQ”, “LGBTQIA” etc.) sem atentar da enorme diferença entre estas letras. A nossa campanha apóia o direito à orientação sexual (LGB), mas questiona a noção pseudocientífica de “identidade de gênero” (“T”) que dá nome aos ambulatórios que pipocaram na última década em diversas cidades brasileiras e que não recomendamos.

O fim dessa histeria coletiva, no Brasil e no mundo, virá em algum momento; talvez, quando as vozes dos destransicionados forem ouvidas, quando as ações judiciais contra os responsáveis forem mais numerosas, quando mais pessoas denunciarem as táticas de certos profissionais de saúde, transativistas, ativistas “LGBT” e acadêmicos queer, talvez quando a Justiça brasileira for responsabilizada pelo fim dos espaços separados por sexo; recentemente, a organização ABLGT obteve do Supremo Tribunal Federal aval para que qualquer preso que se autodeclare “trans” escolha entre ficar preso com os presos comuns, numa ala separada na prisão masculina ou – atenção – num estabelecimento prisional feminino. Esse é o poder deste lobby.

Nós temos medo de falar publicamente sobre isso – “medo”, aliás, é a palavra que mais escuto dos leitores e leitoras -, mas não há outra forma: precisamos falar apesar do medo, apesar do que estes indivíduos dizem e fazem conosco, sobretudo contra mulheres. Essas agressões, calúnias e ameaças são praticadas online e também presencialmente,  como mostrou recentemente o caso da artista plástica carioca Aleta Valente. Aleta estava dançando em uma festa no Rio de Janeiro quando um homem que ela não conhecia (ela usa a expressão “mulher trans”, mas nós evitamos linguagem fantasiosa) a expulsou aos gritos de “transfobia”. O caso repercutiu internacionalmente.

Deixo vocês com esta fala do psicoterapeuta James Esse no Twitter (link original aqui, link fixo aqui). James foi expulso do mestrado por alertar sobre a gravidade do que está feito em clínicas e ambulatórios de “identidade de gênero” no Reino Unido.

[#pracegover : print de um tuíte datado de 23 de setembro de 2021 onde se lê em inglês e português: “De uma forma paradoxal, comecei a sentir um estranho conforto e ânimo por receber vitríolo, calúnias e abusos online. Significa que eles não têm base para desafiar as coisas que estou realmente dizendo. No que me diz respeito, eles perderam o debate antes mesmo de começar”. O tradutor do Twitter traduziu”vitriol” como “vitríolo”, quando o ideal seria “grosserias”].

Antecipando os ensinamos do texto, reiteramos a importância de monitorar o que nossos garotos e garotas estão lendo na internet. A indústria do “gênero” tem um orçamento infinito e portanto pode aliciá-los das mais variadas maneiras: das séries da Netflix aos candidatos escolhidos pelos partidos para as próximas eleições; de vagas e cotas em empresas e universidades em nome da “diversidade” aos eventos acadêmicos cujo discurso queerizado sobre a infância nos remete a práticas nada saudáveis. O monitoramento total, contudo, é impossível e talvez nem desejável; portanto,  lembre-se: nada substitui uma boa conversa. Fazer perguntas, fazer com que eles mesmos questionem o adestramento que receberam é um ótimo caminho; começar por exemplo com um simples “mas então o que é ser mulher?”

Até a próxima.

Equipe No Corpo Certo.

Solidão, Isolamento Social, e Identificação Trans na Adolescência

 

Em março do ano passado, no início da pandemia, eu jamais teria colocado Covid e transgênero na mesma frase. Também nunca pensei que escreveria publicamente sobre assuntos tão privados como o desenvolvimento sexual do meu filho. Mas, tal como o preço pago pelas pequenas empresas e liberdades civis, os efeitos da solidão e isolamento provocados pelo lockdow da Covid e as suas consequências têm sido catastróficas.

Apenas alguns meses depois de ter entrado em quarentena, o meu filho de 13 anos veio ter comigo, timidamente, na hora de dormir, com grandes e excitantes notícias. Ele era transgênero!

Há cerca de um mês ele andava pensando nisso, disse ele, e agora tinha a certeza. Ele não gostava muito do seu corpo, especialmente dos seus ombros e da sua voz e, após alguma exploração online, tinha descoberto porquê. Era porque ele não era um garoto, era uma garota!

Ele olhou para mim com expectativa, observando a minha reação. O que ele conseguiu foi cerca de dois minutos de silêncio atordoado. Depois, como a maioria das mães faria, eu lhe dei um grande abraço e lhe disse que o amava independentemente de tudo.

O meu filho é um garoto típico. A infância dele foi cheia de sapos e caminhões e sujeira. Ele adora acampar e fazer caminhadas e super-heróis. Sem histórico de depressão, sem histórico de disforia. Esta mãe atenta saberia. Mas o meu adolescente impressionável também estava em lockdown, como todos nós, desde março.

Como genitora, eu me preocupava com os impactos do confinamento desde o início. Será que os adolescentes não precisavam dos seus amigos? Para forjar esses laços sociais, para encontrar o seu lugar num grupo, durante esse tempo crítico na formação da sua identidade? O fechamento abrupto da escola e a inadequada escola virtual jogada na última primavera passada parecia exatamente a coisa que iria descolar uma criança da realidade adolescente.

Eu tinha antecipado alguma angústia adolescente. Mas nunca a vi. Por todas as aparências exteriores, o meu filho estava se saindo bem. Vi meu filho desfrutando do ar livre, das caminhadas, da canoagem. Ele parecia feliz e bem-ajustado, rindo e a brincando com a família como sempre.

Mesmo assim, eu me preocupava constantemente durante todo o verão e o checava frequentemente. Quando lhe perguntei se estava solitário e como se sentia, a resposta era a mesma: “Mãe, eu tô bem! Falo com os meus amigos no Discord. Não é o mesmo que ao vivo, mas está tudo bem”. Nós também relaxamos as nossas rígidas regras sobre o uso de videogames, sentindo que ele merecia um lugar de entretenimento dadas as circunstâncias.

Acontece que as aparências enganam. As coisas não estavam bem.

O isolamento tinha virado a vida do meu filho de pernas para o ar; mas, como muitos adolescentes, ele simplesmente não sabia como expressar isso ou onde pedir ajuda quando o seu universo social habitual e as suas conexões de amizade se desfizeram. Sua profunda solidão o levou a procurar respostas e a uma nova tribo.

Depois do grande anúncio do meu filho, fiquei verdadeiramente perplexa e me perguntei de onde tinha vindo esta nova identidade, já que ela tinha surgido, aparentemente, do nada.

Por isso, comecei a cavar. E, infelizmente, o que encontrei depois de auditar seus aparelhos eletrônicos foi chocante. O meu filho estava se sentido só e isolado do seu pequeno grupo de amigos íntimos.

Ele começou a se perguntar porque se sentia tão sozinho e tão diferente. Num grupo normal de colegas, numa situação de não-isolamento, isto não teria acontecido. Mas, sem nenhuma maneira de se ligar aos seus pares na vida real, o meu filho se sentou na solidão do seu quarto e recorreu à Internet para obter respostas sobre por que ele se sentia diferente.

Estranhos no Quora.com e no Reddit rapidamente diagnosticaram o meu filho brilhante e peculiar – que estava no início, na fase mais embaraçosa da puberdade – como sendo transgênero. Ele foi elogiado por “perceber o seu verdadeiro eu” e ser corajoso e foi bem-recebido por um grupo de outras pessoas solitárias que tentavam descobrir a si próprias. Estas pessoas se apresentaram como adolescentes e jovens adultos, mas não há uma maneira de  verificar isso no ambiente atual dos meios de comunicação social.

Com o grande anúncio do meu filho, a nossa família mergulhou em depressão e desespero conforme tentávamos nos reconciliar com o que estava acontecendo.

Ao contrário de outros grupos de identidade adolescentes, trangêneros têm um preço de entrada bastante elevado.  Para fazer parte desta tribo, você precisa mudar de nome, os pronomes que solicita e renunciar ao seu antigo eu.

A partir daí, é uma terreno escorregadio em direção a hormônios sexuais errados e nocivos e, em última análise, a cirurgia plástica para alterar a apresentação sexual externa do seu corpo.

Como mãe, senti uma dor intensa pelo meu filho e tristeza por o meu filho perfeito (nos meus olhos) ter desenvolvido uma sensação de insegurança e vergonha sobre o seu corpo debaixo do meu próprio nariz. Senti horror e tristeza por ele ter sido levado a sentir que os seus sentimentos de insegurança podiam e deviam ser medicamente corrigidos.

Acima de tudo, me entristeceu que ele tivesse pedido ajuda, em meio à ansiedade e solidão da Covid, e que a tivesse encontrado entre estranhos, que o alimentaram com desinformação e falsas promessas de transição como um cura- tudo para o blues adolescente.

Felizmente, o meu filho agora acredita que chegou a algumas conclusões incorretas sobre si próprio no verão passado. No linguajar dos trans, ele desistiu de acreditar que é transgênero – uma ocorrência comum de acontecer, apesar do que os ativistas trans gostariam que você acreditasse. E a nossa família aprendeu algumas lições valiosas sobre o checar uns nos outros e sermos a rede de apoio uns dos outros.

Esta foi uma das muitas formas imprevistas pelo qual o sofrimento das crianças está se manifestando durante o confinamento da Covid. Tentando dar sentido a tudo isto, cheguei a outros pais cujas vidas tinham tomado esse rumo e rapidamente descobri que muitos outros tinham recebido anúncios- surpresa semelhantes ao longo do último ano. Por isso, certamente não sou a única mãe que teve que caminhar nesse campo minado.

Estamos apenas começando a compreender as fraturas profundas nas nossas famílias provocadas pelo isolamento da pandemia de Covid-19 e a consequente disrupção dos anos de formação dos nossos filhos. É necessário muito mais estudo.

Os adolescentes precisam desenvolver as suas identidades, de criar laços com os seus pares, de viver através desses ritos sociais de passagem. Eles completarão a necessária procura adolescente do “eu” na onda que encontrarem.

Se são impedidos de encontrar o seu grupo na vida real, eles encontrarão outros grupos para preencher esse vazio, essa necessidade de pertencimento, como os adolescentes desde tempos imemoriais têm feito.

Na qualidade de genitora, eu daria o seguinte aviso: esteja ciente de que o seu adolescente pode estar sozinho, mesmo que ele ou ela não saiba como o mostrar e mesmo que você não enxergue. É provável que o seu adolescente tenha perdido amigos e relações próximas ao longo dos últimos 18 meses e esteja na dúvida sobre como recomeçar a reconstruir suas vidas sociais de uma forma saudável.

Sem uma relação familiar amorosa e solidária, esta solidão e insegurança podem se ir em espiral para direções estranhas e potencialmente perigosas, incluindo a identificação transgênero, à medida que as crianças tentam desesperadamente encontrar conexões e um sentimento de pertencimento nestes tempos alienantes.

[#pracegover: um rapaz em pé numa pedra à beira mar com uma mochila olhando o horizonte. A imagem consta do texto original.]